É mais ou menos assim: um insight e
bum! Não demora mais do que cinco segundos. Dizem por aí que são necessários
exatos cinco segundos – nem mais, nem menos – para gostar ou não gostar de
alguém, mas não tenho certeza. O meu parecer é bem maior que isso...
De novo, pensei. Ora, de novo o
sussurro familiar, aquela fincada no fundo do peito que prediz: não é pra ser.
Ignorar os indícios não parece sábio, mas também não há nada de sábio no seu
silêncio. Tic tac. A cada segundo de uma irresposta, um batimento do desespero.
Agonizar ignorantemente, sem sentido algum, pointless.
Como é que é possível vivenciar esse tipo de desejo sem a ignorância?
As vendas que
vedam a racionalidade são necessárias. Eu ainda não sei se
gostaria ou não de sentir isto, no entanto eu posso afirmar com todas as
letras: a euforia dói. Gostar de alguém, desejar alguém como eu o desejo requer
um esforço que aperta, repuxa e atiça a minha bomba nuclear (no vulgar,
coração) cheia de nervos.
Palavras bonitas são ditas e nem mil
quinhentos e uma delas pode amortecer o arranhão de um silêncio. É isso o que
faz o mundo girar, no fundo. É essa energia, produzida por um coração
desenfreado, que forma um campo de força destrutivo. O impulso vem todo daí, e
a inconsequência é um apelo dolorido das engrenagens sendo brutalmente puxadas.
São necessários cinco míseros
segundos.
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