domingo, 25 de janeiro de 2015

A = Área de seção transversal (m²)
ℓ = comprimento do condutor (m)
ρ = lê-se "rô", resistividade linear (Ω m) I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE I AM A PLAGUE.
De repente, não era mais a tinta da caneta que escrevia. Um resíduo preto viscoso pingou no caderno e a mancha foi se separando, formando o contorno do que parecia ser um rosto. A primeira parte distinguível que se formou foi um olho distorcido, e logo em seguida podia-se observar o outro olho brotando em perfeita assimetria. Riscos deslizavam pela folha e indicavam um nariz achatado, embaixo dele formou-se um anel grotesco que antecedia a boca ridiculamente pequena. 
O contorno se fechou na imitação de um rosto quase circular e, enquanto chuviscava riscos no que deveria ser o cabelo, algo que recendia a um olho de Horus infantilizado surgiu, bem no meio da testa. O terceiro olho marejou-se de preto e as lágrimas residuosas escoavam pela pupila, borrando o que sobrou do papel. Por onde escorria, a gosma lacrimal abria feridas no caderno, feridas que mais... se pareciam... lagartas. PRAGA.

Ela olhou para o caderno uma última vez, abismada com tamanho show de horrores, se perguntando como havia aquilo tudo acontecido. Será que estava ficando louca de vez?  Antes que ela respondesse mentalmente suas perguntas, as duas mãos já eram gosmas lagartinosas. O resíduo viscoso do caderno, ela percebeu com pavor, pingava não do teto, mas de sua própria testa - para ser mais precisa, de seu terceiro olho. Passou a mão no rosto, tomada pelo horror, e descobriu: ela era a praga. 

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