domingo, 25 de janeiro de 2015

Hoje eu queria escrever. Eu juro que tentei de todas as formas me comunicar, mas sempre que me inclinava em direção à caneta, minhas mãos convulsionavam para o lado oposto; turbilhões de pensamentos que eu não pedia pra pensar inchavam minha cabeça. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas ao invés de palavras expeli uma bolha cinzenta. Suspirei, cansada.
Tapei os ouvidos para não ouvir o que estava dentro de mim, olhei para o lado esquerdo e lá havia uma concreta parede branca, excessivamente sólida, instranscendível. O lado direito tinha duas paredes monotonamente idênticas às do lado esquerdo, monotonamente idênticas a todas as paredes do mundo, opacas e cheias de concreto. Neste momento, tomei ciência da verdade terrível: meu deus, estou cercada de realidade!

Olhei para cima, já sem nenhuma esperança. Enchi meus pulmões de ar e senti o vento forte vibrando em minhas cordas vocais, me forçando a abrir a boca num grito. Esperava-se ouvir, ali, um rugido de pânico, mas tudo o que se pôde ver foi um enorme feixe escuro saindo da boca redonda e atravessando o teto, e tudo o que se pôde ouvir foi um chiado de um urro surdo. Meus lábios se retorceram e abriram, como nunca julguei ser capaz, para além do maxilar, a fim de dar passagem ao que quer que estivesse saindo de mim. Caí de costas, sem forças para nada – mal conseguia respirar, que dirá escrever. Então escrevi (ou tentei me convencer de que escrevi), olhei para a tela do computador e subitamente as palavras já estão todas aqui. Boa noite. 

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